
O estafiloblog pega emprestado um barco da Marinha lituana e confere como vai o mundo.
Ativistas pró-democracia, liderados por monges budistas, voltaram a se manifestar neste sábado, após algumas horas de tranqüilidade no Mianmar (antiga Birmânia). As forças de segurança do governo reagiram com violência, cercando os dissidentes em Yangun, ex-capital e principal cidade do país.
As novas manifestações surpreenderam as lideranças locais, que haviam reforçado a presença militar na cidade e, momentos antes, declarado na mídia estatal o restabelecimento da paz e da estabilidade.
O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Gambari, iniciou hoje sua missão no país, buscando convencer as autoridades militares acabar com a repressão ao movimento pró-democracia.
Até o momento, a ação do governo deixou pelo menos nove mortos, entre eles, um jornalista japonês. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, disse nesta sexta-feira que acredita que o número real de mortos possa ser "muito maior" do que divulgam as autoridades locais. Um grupo dissidente no exílio, o US Campaign for Burma, afirma que 200 manifestantes morreram e muitos outros foram presos e agredidos.
Conexão restabelecida
As conexões de internet voltaram a funcionar hoje em Mianmar, segundo o correspondente da BBC em Bangcoc, Chris Hogg. Os militares, para tentar impedir a divulgação de imagens e informações do conflito pela internet, desativaram dois dos principais provedores de acesso do país.
Alguns blogueiros locais, porém, conseguiram burlar a censura durante a semana. Com isso, foi possível publicar fotos e vídeos até mesmo feitos pelo telefone celular, para contar ao mundo sobre a opressão praticada pelo governo totalitário.
Para o chefe da seção asiática da organização Repórteres sem Fronteiras, Vincent Brussels, "É impressionante como a população de Mianmar tem sido capaz de receber coisas de dentro e de fora por meio de redes clandestinas".